segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

2016

Algumas coisas na vida, a idade ajuda a melhorar. Mas engraçado como outras te estragam. Conversando com amigas pensamos nisso. Em como a volatilidade de quando éramos mais novas era bom. Como seguir em frente após o fim de um relacionamento era infinitamente mais fácil. Talvez por que no fundo sabíamos que tinha um mundo inteiro de experiências pela frente, coisas e pessoas para descobrir. E essa segurança nos fazia desapegar de sentimentos, de pessoas, de situações.

Hoje, anos e anos depois, após de ter vivido muita coisa, depois de ter experimentado outras muitas, é mais difícil desapegar. E isso é TÃO errado. De repente, num surto, você acha que já viveu tudo, que só aquele cara te entende e os anos de relacionamento não te deixam seguir em frente, acredita cegamente que já passou da hora de ter estabilidade financeira, vê as amigas casando (algumas com príncipes e outras não...), olha pro lado e aquele namoradinho do colégio já tá com a vida feita e com filho, olha pro outro lado e aquela amiga que formou com você na escola é concursada e ganha super bem. A família põe pressão, sua mãe briga que sua prima mais nova já tá trabalhando de carteira assinada, uma conhecida fala que já tá na hora de casar e ter filho porque-se-demorar-muito-a-criança-pode-nascer-com-problema, você se pressiona por que nada do que planejou foi pra frente e se acha uma bosta. E a vida? A vida vai passando, sem trégua, sem freio, não para.

Teoricamente era esse o momento em que você devia MESMO se movimentar, não sofrer e não viver de passado, olhar pro futuro, segurar numa mão a fé, na outra a coragem, passar um rímel e seguir. Continuar. Ir em frente.
Mas quem dera fosse simples assim, né? Esse trabalho interno exige um equilíbrio emocional imenso e que muitas vezes demoramos para adquiri-lo. Exige coragem para assumir responsabilidades de atitudes que precisamos ter diante de certas situações; exige fôlego para começar do zero quantas vezes forem necessárias; exige esforço psicológico pra entender que a idade tá na nossa cabeça e só nela; exige sabedoria pra aceitar que dar murro em ponta de faca... machuca; exige aceitação pra compreender seus limites e que a gente pode se  reinventar quantas vezes forem necessárias. Aquela lista de coisas a serem feitas pode ser reescrita inúmeras vezes, sabe por quê? Porque ninguém é mais dono da sua vida que você. E você que manda nela, que a conduz - algumas vezes de forma bem porca, confessemos, mas você é seu próprio guia. Não tô falando aqui pra você se rebelar na vida, só não se cobrar porque as pessoas te cobram, pois cada um tem seu tempo, sua personalidade, seus problemas, suas alegrias e seu jeito.

Então, cata aí um papel, cata aí uma caneta e escreve no topo da página: O que eu quero?
Pense, reflita, não liga pra opinião de ninguém além da sua. Pensa o que faz você feliz. Faça três colunas na folha: no meio escreva o que você quer; do lado esquerdo escreva o que te impede de chegar até ali; do lado direito - porque é direito! - escreva o que você pode fazer pra chegar até ali. 

Não deu certo? Mudou de ideia? Faça outra lista. Não desista de ser você, não desista de ser feliz. 

O foco muda, a vida muda, a gente muda. Não desista, não se arrependa, não tenha medo do que te faz sorrir.

PS: Texto também disponível em: 30 is Coming

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Os Cagaços da Vida

Segundo o dicionário inFormal, cagaço é:
Situação em que a pessoa leva um grande susto, um medo repentino.
E é assim que me encontro. Tenho 26 anos ainda, mas a sociedade - e/ou minha mãe - me ensinou que aos 30 preciso ser alguém na vida. Daí me questiono: o que é ser alguém na vida? Por que pra minha tia, ser alguém na vida é passar num concurso público e ter um salário todo mês depositadinho na conta; pra uma amiga, ser alguém na vida é apenas conseguir pagar as contas; pra outra é arrumar alguém que a banque. O que é ser alguém na vida?


Cresci com a ideia de que precisava ralar pra conseguir ser alguém. Pra ter meu apartamento. Pra ter um emprego. Pra arrumar um marido (minha mãe pensa só no marido, acredito eu). A pressão que as pessoas fazem em cima é tão grande que você acaba entrando no clima e colocando mais pressão em você mesma. Sabe aquela história da mentira falada 100 vezes que acaba se tornando verdade? Pois é. A verdade dos outros acaba sendo a sua verdade e você não sabe ao certo responder o que é ser alguém na vida.

Aí fico no cagaço. Porque eu não sei, numa idade que, teoricamente, já era pra eu ter noção - pelo menos. 

Ok, ninguém deve ter medo de errar, de mudar de direção, de achar que a vida é só aquilo e não-tem-outra-opção-você-vai-ter-que-aceitar. Mas as coisas parecem ir ficando mais difícil ao longo dos anos. As desculpas pra não conseguir algo, o ânimo de sair do caminho A e ir pro Z, as oportunidades, o ânimo. Ah, o ânimo.

















Ok. Chega.

Cagaço todo mundo tem. Normal. Humanos. Sou humana. Não sou semi-deusa pra ser fodona e estar sempre certa do que quero e sorrindo e feliz e com cabelo no lugar. Não. A gente tem medo mesmo. Tem medo da idade, sim!, principalmente quando ainda não chegou aonde você desejou. 

Quando tinha 18, eu idealizava o seguinte: vou casar com uns 25 anos e aos 28 quero ser mãe, porque não quero ser uma mãe muito velha. Puuuffff..risos eternos. Se for mãe com 32 hoje estarei feliz. A vida muda, as oportunidades mudam, os ventos mudam e o lance é dançar conforme a música, mas no seu ritmo. 

A incerteza é pra sempre. Em tudo na vida. A questão maior é como a enfrentamos. E não é fácil, não é simples, dou cada crise de ansiedade nessa vida que só Brigitte sabe. Mas se martirizar porque seus planos de 10 anos atrás mudaram é muita insanidade. E é um exercício diário conviver com as loucuras, os pensamentos e voltar à realidade respirando e seguindo em frente.

Respire. O cagaço é só seu e só você pode arrumar um jeito de contorná-lo. Seja alguém na vida. Alguém feliz. É o melhor começo.

Beijas!